O DLSS 5 da NVIDIA vai revolucionar os gráficos ou destruir a arte dos videojogos?

A Game Developers Conference de 2026 ficará marcada por um anúncio que abalou as fundações da comunidade gaming: o DLSS 5 da NVIDIA. Ao contrário das versões anteriores, que se focavam em aumentar a resolução (upscaling) e a fluidez (geração de fotogramas), esta nova tecnologia baseada em Inteligência Artificial ataca diretamente a iluminação, prometendo um salto de fotorrealismo nunca antes visto.
“Vinte e cinco anos depois da NVIDIA inventar o shader programável, estamos a reinventar os gráficos de computador mais uma vez”, disse Jensen Huang, CEO da marca. Huang descreveu a tecnologia como o “momento GPT para os gráficos”.
Mas o que deveria ser um momento de celebração tecnológica transformou-se numa das maiores polémicas do ano. Estará a IA a passar por cima do talento humano e a destruir a direção artística dos estúdios? Reunimos todos os detalhes técnicos, reações e declarações oficiais para que possas tirar as tuas próprias conclusões.
Como funciona a magia (e o peso) do DLSS 5?
Segundo a informação oficial disponibilizada pela NVIDIA e as impressões da Digital Foundry, o DLSS 5 é um modelo de machine learning que atua em tempo real (até resolução 4K). Não altera a geometria de um jogo, mas utiliza as cores e os vetores de movimento de cada fotograma para reconstruir a iluminação.
A IA é treinada para identificar e tratar diferentes materiais de forma isolada. Por exemplo, aplica uma dispersão subsuperficial (subsurface scattering) extremamente realista na pele humana, renderiza os reflexos no cabelo de forma natural e altera drasticamente as sombras do ambiente e o brilho dos tecidos.
Mas este fotorrealismo tem um custo técnico avassalador: a demonstração da NVIDIA precisou de duas monstruosas RTX 5090 a trabalhar em simultâneo para correr a simulação. A empresa promete que a versão final, agendada para o outono, correrá numa única GPU, mas será sempre um exclusivo da série RTX 50.
O caso Resident Evil Requiem e a fúria nas redes sociais
O ponto de rutura deu-se com a divulgação do trailer do DLSS 5 aplicado a Resident Evil Requiem. O vídeo exibia o “antes e o depois” de Leon S. Kennedy e Grace Ashcroft. A iluminação gerada pela IA alterou radicalmente o aspeto das personagens, retirando-lhes o tom sombrio que a Capcom lhes tinha dado originalmente e substituindo-o por um realismo que muitos consideraram “plástico”.
A publicação oficial na conta @NVIDIAGeForce na rede social X transformou-se num campo de batalha. O post foi inundado de críticas, com os jogadores a acusarem a empresa de aplicar “filtros baratos de IA” e de desrespeitar o trabalho meticuloso dos diretores de arte.
O contra-ataque da NVIDIA e a defesa da Capcom
Apercebendo-se do desastre de comunicação, a NVIDIA atirou a responsabilidade para os estúdios. Através do seu blog oficial, a empresa esclareceu que o DLSS 5 oferece controlos de intensidade, color grading e máscaras de exclusão. A tecnologia integra-se através do já conhecido NVIDIA Streamline framework, garantindo que se preserva “o controlo que os artistas precisam para a expressão criativa”.
Curiosamente, a própria Capcom fez questão de defender a tecnologia face à fúria dos fãs. Jun Takeuchi, Produtor Executivo da empresa, afirmou que a visão da IA encaixa no terror: “O DLSS 5 representa um passo importante (…) ajudando os jogadores a ficarem ainda mais imersos no mundo de Resident Evil”.
Uma biblioteca de luxo a caminho (Starfield, AC Shadows e mais)
As maiores gigantes da indústria estão rendidas (incluindo Ubisoft, Tencent, Warner Bros. e NetEase). Todd Howard, líder da Bethesda, não poupou elogios ao ver o DLSS 5 aplicado a Starfield, garantindo que a tecnologia estará presente nos futuros títulos do estúdio, o que significa que The Elder Scrolls 6 irá utilizá-la no lançamento.
O comunicado oficial da NVIDIA confirmou uma extensa lista de jogos que vão receber a tecnologia baseada em IA:
- AION 2
- Assassin’s Creed Shadows
- Black State
- CINDER CITY
- Delta Force
- Hogwarts Legacy
- Justice
- NARAKA: BLADEPOINT
- NTE: Neverness to Everness
- Phantom Blade Zero
- Resident Evil Requiem
- Sea of Remnants
- Starfield
- The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered
- Where Winds Meet
Fonte: Eurogamer



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